Segundo historiador, 28 de agosto não é a data da Emancipação Política de Itabaiana

Para o historiador e pesquisador José de Almeida, a data seria 30 de outubro.


 22/08/2017 às 20h:40min
Segundo historiador, 28 de agosto não é a data da Emancipação Política de Itabaiana

Por José de Almeida:

GATO POR LEBRE.

No próximo dia 28, como ocorre todos os anos, Itabaiana completa mais um ano de status de cidade. É uma data, bonita, muitas festas bonitas nela já foram feitas, e, claro, delas merecedora. Mas 28 de agosto não é a data máxima de nosso município e de sua história, e isso tem tirado muita gente do sério, por ter passado a piamente acreditar que sim.
O dia 28 de agosto marca tão somente, como já dito, a aquisição do status de cidade para a sede do Município de Itabaiana, que em 1888, há 129 anos, já contava 191 anos de emancipado de São Cristóvão, o município-pai em todo o estado de Sergipe.

E PORQUE A CONFUSÃO?
Até o Estado Novo, o status das sedes municipais brasileiras passaram por vários estágios.
As Vilas foram via de regra as sedes municipais, desde o início da colonização, até 1889; sofreu uma situação transitiva entre 1889 e 1937, e finalmente a obrigatoriedade de ser denominada de cidade a partir desse ano, que é o início do período do Estado Novo. Logo, dos 75 municípios sergipanos, aproximadamente 50 já se emanciparam com suas sedes tendo os status de cidade.
Dos 16 municípios que são originários do município original de Itabaiana apenas Frei Paulo e Riachuelo não passaram direto em suas respectivas emancipações já com o status de cidade.
Por isso acostumamo-nos a ouvir que povoado “a” ou povoado “b” tinha virado cidade. E vila passou a ser apenas um ajuntamento específico de casas; em geral um cortiço.
Infelizmente, no Artigo 189 da Lei Orgânica do Município de Itabaiana – a lei máxima do município – foi lá colocado que 28 de agosto é data da EMANCIPAÇÃO, o que reforça a crendice, num erro que reduz em muito a importância histórica de nossa terra.
A grande data na formação do município de Itabaiana não é 28 de agosto de 1888 e sim 30 de outubro de 1675 quando a cidade é fundada. 28 de agosto tem, pois, sua importância; mas de modo secundário.

O MUNICÍPIO PORTUGUÊS
Na estrutura municipal portuguesa colonial, a vila era a típica sede municipal. Para ser uma vila era preciso ter cem vizinhos, ou seja, cem famílias, juntas ou em sítios e fazendas, a paróquia e sua igreja matriz, a câmara de vereadores e a cadeia. Eram tradicionais as casas de câmara e cadeia, ainda hoje visíveis em vilas importantes do século XVIII como Penedo (AL), Cachoeira (BA), etc.. Aqui, contudo, se abria um pouco a exigência com a obrigatoriedade da Câmara, mesmo em casa simples, e o pelourinho em substituição à cadeia. O pelourinho era indispensável. Não se soube até agora onde tenha funcionado o pelourinho em Itabaiana, haja vista que a cadeia só veio ser construída por aqui no final do século XIX.
A cidade, no modo de governo colonial português era uma fortaleza; um lugar de permanentes forças militares, murada ou não.
Salvador foi fundada como cidade, por ser uma base militar de apoio às caravanas em direção à Índia. Já as próximas quatro cidades tiveram influência direta da presença dos franceses: Rio de Janeiro, João Pessoa e São Cristóvão, pela ordem, como forma de afugentar os franceses; e São Luiz foi ela mesma fundado pelos franceses e retomada pelos portugueses. Em 1711, nadando em ouro e prestígio, os paulistanos conseguiram que Lisboa elevasse o status de São Paulo a cidade. Povoação fundada em 1554, São Paulo emancipou-se de São Vicente três anos depois e permaneceu uma vila de interior até 1669 quando a capital da capitania saiu de São Vicente pra lá. Como vila e capital da capitania permaneceu até 1711 quando ganhou o status de cidade.

Veja a programação do aniversário da cidade 

José de Almeida é membro da Academia Itabaianense de Letras, lançada em 2013. No mesmo ano, Ameida lançou o seu livro "Itabaiana, nosso lugar quatro séculos depois" que foi fruto de quase quinze anos de pesquisa sobre Itabaiana, sua cidade, sua história e sua atualidade. Ele também é pesquisador, autor de quatro documentários sobre a história de Itabaiana feitos em DVD, intitulados, respectivamente, de Histórias dos tempos de vaqueiros, Tempos de lendas e tesouros, Doces vales de sonhos e Sina de estradeiro.

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Da redação.
Atualizado: 29/08/2017 às 16h:10
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